o homem inusitado

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.............................. .......... O homem inusitado foi usar o fio dental e as gengivas de repente de manteiga cederam-lhe caminho, fio subindo até o cérebro adentro, cérebro não também enmanteigado mas já por si de manteiga idem. Feriu-se – mas feriu mais a moral, os bons costumes, e a tia-avó em decadência no espanto da cena pôs a opulenta manzorra sobre o buraco da boca, como um quadro.
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................................ ........ O homem inusitado espera a deixa, enrama as queixas, vê e se contamina – mas se precipita. Por isso é o que é; olha o homem inusitado, por isso inusita.
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............................. ........... O homem inusitado recebe um tiro no ovário, recolhem-lhe as vaginas, desbordam-lhe as saias e tranças que costurara há anos a fio, jogam-no no chão, matam-lhe a barata, tud'OK e cal'a boca. E não é senão, que das névoas – nas situações há sempre uma névoa –, que da polvilhança do breu, sua frágil luminescência, sai uma mancha (que sai de uma clareira (que sai de uma clareza que sai de uma gota noturna)) que sem maiores deixas nem maciez excessiva desenha uma nova aura ou nova gruta mas aberta, pedestal a vapor, coluna aérea, para ei-la, compô-la, consubstanciá-la, vem e chega, se nitidifica: a mulher inusitada. – Inusita, venha cá minha filha.
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mar.02
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