tempo das águas

.
.
.
.......... O gado estava amoitando na capoeira
.......... Agora é a gupiara agachada no lombo do morro
.......... Vazia que não tem mais fim.
.......... De repente faz cócega na cara da gente
.......... A mão de chuva do vento.
.......... Tempo perdido se afobar,
.......... Ela já vem na cola do libuno.
.......... Olhe a folhinha seca.
.......... Salta que salta ressabiada, corcoveia,
.......... Desembestou que nem potranca chucra pasto fora.
.......... Você quase nem tem tempo de vestir a capa boa
.......... E despenca a chuva de Deus.
.......... O espaço num átimo se enche de ar leviano
.......... E a água lava até a espinha da gente
.......... E encrespa a crina do animal.
.......... Que gostosura!
.......... Você rejeita o forde da fazenda na porteira
.......... E continua tchoque-tchoque na tijuqueira peguenta da estrada.

.......... Em casa,
.......... No brim novo com cheiro de ribeirão
.......... Você deita na rede da varanda,
.......... Chupita o traço da abrideira...
.......... E se conversa.

.......... E se conversa sobre a baixa do café.
.
.
Mário de Andrade
Clã do Jabuti (Ritmo Sincopado), 1926
.
.

Nenhum comentário: