agronomia

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Confissões de um agrônomo: eu, quando escrevo a palavra fruta, carrego o F nas costas, sopeso sua fibra, sua espessura porosa, suas retas prazerosamente de escada; levo o R pela curva, lavado, de uma substância extrusiva pelo cultivo contínuo com o U, o qual atrai a natura, pele a pele de opostos como o encaixe de polos norte-e-sul; e o T e o A trago a galope sob os guindastes, os timbres átonos, eles toantes, amantes – então todos os planto no solo como blocos de Stonehange. Do mesmo modo a palavra planta, e folha, ou terra, ou grânulo. Minha confissão cultiva (se dicionariza agrária, ad infinita) quando no raiar do dia minha mão apta e a pequena pá se sujam de lama.
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Nota pequena para o agrônomo: palavra, lavra.
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out.99
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3 comentários:

Jéssica do Vale disse...

O peso das palavras...

Bom final de semana.

Rafaela Gomes Figueiredo disse...

que bacana este espaço!!
tua levada é boa - as palavras se lhe inscrevem.
gostei muito, para voltar.

abraço
valeu pela visita!

sérgio disse...

Aquarela...
Lindas, sempre leves...adoro!